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Boas Práticas para MCPs: Confiabilidade, Segurança e Eficiência

  • 9 de fev.
  • 5 min de leitura


Implementar MCP (Model Context Protocol) servers e clients pode parecer simples à primeira vista, mas há armadilhas comuns que podem comprometer a confiabilidade, segurança e custo de operação dos seus agentes de IA. Neste artigo, vou compartilhar práticas essenciais que aprendi desenvolvendo essas soluções.


1. Evite o Erro Mais Comum: Espelhar Todas as APIs


Um dos erros mais frequentes de quem está começando com MCPs é tentar espelhar todas as APIs do backend no MCP Server. Embora o MCP seja poderoso, expor muitas ferramentas simultaneamente pode causar a famosa "alucinação de uso".


O Problema da Sobrecarga de Tools

Quando um modelo tem acesso a muitas ferramentas, ele pode:


  • Chamar a tool errada para determinada tarefa

  • Criar endpoints que não existem

  • Enviar parâmetros incorretos ou sem sentido

  • Confundir-se sobre qual ferramenta usar em cada contexto


Não existe um número mágico, mas estudos e artigos recentes sugerem que entre 10 e 15 tools ativas por contexto do agente é um bom limite. Atualmente, quando você ultrapassa 20 tools, a taxa de erro dispara e o LLM começa a alucinar com frequência.

A solução? Exponha poucas tools com objetivos claros e bem definidos. Isso guiará melhor o modelo e facilitará significativamente os testes e a manutenção.


2. Segurança: Aplique Zero Trust


As mesmas boas práticas de segurança que você adota em suas aplicações devem ser aplicadas aos seus MCP Clients e Servers.


Princípios Fundamentais

Zero Trust e Menor Privilégio: Sempre assuma que nenhum componente é confiável por padrão. Implemente:


  • Fluxos de autorização robustos: Defina claramente quem pode acessar o quê

  • Escopos bem definidos: Limite o alcance de cada ferramenta

  • Proteção contra Prompt Injection: Utilize ferramentas especializadas para validar e sanitizar inputs

  • Fluxo de consentimento: Informe aos usuários quando estão acessando dados sensíveis


Gestão de Credenciais

Regra de ouro: Nenhuma senha, credencial, API key ou secret pode estar no código. Utilize:


  • Gerenciadores de secrets (AWS Secrets Manager, Azure Key Vault, HashiCorp Vault)

  • Variáveis de ambiente seguras

  • Sistemas de rotação automática de credenciais


Ambientes e Auditoria


  • Segregação por ambiente: Mantenha DEV, HML e PRD completamente isolados

  • Logs claros e estruturados: Facilite auditorias e resolução de problemas

  • Rastreabilidade: Registre quem fez o quê, quando e por quê


3. Tratamento de Erros: Pense no Agente, Não no Humano


Este é um ponto crítico onde muitos desenvolvedores tropeçam. Lembre-se: quem efetivamente utiliza seu MCP Server são os agentes e os modelos de IA, não diretamente os usuários finais.


O Problema com Mensagens Humanizadas


Se suas mensagens de erro são destinadas a pessoas, você pode estar comprometendo o funcionamento do agente. A IA interpretará essas mensagens e não há garantia de que repassará o mesmo conteúdo ao usuário.


Mensagens que Orientam Ações


Quando uma chamada ao backend falha, os agentes podem tentar abordagens diferentes. Suas mensagens de erro devem ajudar o agente a decidir o que fazer em seguida, não apenas mostrar o que deu errado.


Exemplo ruim:

"Você não tem acesso a este sistema"

Bom exemplo:

"Para ter acesso a este sistema, o servidor MCP precisa de uma API_KEY válida. A API_KEY utilizada não é válida."

A segunda mensagem mostra ao agente que a falta de acesso resulta de uma configuração incorreta, não de um problema de permissão. Isso permite que o agente tome decisões mais inteligentes sobre como proceder.


4. Documentação Dupla: Para Humanos e Para Agentes


Uma boa documentação é crucial tanto para usuários quanto para agentes, mas cada um tem necessidades diferentes.


Para Usuários Finais

Os usuários precisam entender:


  • Por que devem usar seu servidor MCP

  • Quais problemas ele resolve

  • Como ele se encaixa no fluxo de trabalho

  • Quais são os pré-requisitos e limitações


Para Agentes

Os agentes dependem de:


  • Nomes descritivos de ferramentas

  • Descrições precisas do que cada tool faz

  • Parâmetros bem documentados com tipos e formatos esperados

  • Exemplos de uso quando apropriado


Lembre-se: quem usa o servidor MCP é o agente, mas é o usuário final quem decide quais ferramentas ele terá acesso. A documentação precisa atender efetivamente aos dois públicos.


5. Observabilidade e Controle de Custos


Assim como qualquer aplicação moderna, MCPs precisam gerar logs e métricas. No entanto, há métricas específicas de LLM que você precisa monitorar.


Por Que Isso Importa?

A IA ainda é um recurso caro. Para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês, você precisa ter controle sobre:


  • Utilização de tokens: Quantos tokens cada operação consome

  • Custos: Quanto cada chamada está custando

  • Latência: Tempo de resposta das operações

  • Taxa de acertos e erros: Performance do modelo


Ferramentas Recomendadas

AI Gateway - Higress: Coloque um AI Gateway na frente dos provedores de IA. Com o Higress, você consegue aplicar:


  • Token rate limit

  • Quotas por consumidor (chave, IP, header, etc.)

  • Controle centralizado de acesso


Telemetria - OpenLIT: Para telemetria e trace, o OpenLIT oferece dashboards interessantes para acompanhar:

  • Uso de tokens em tempo real

  • Custos com LLMs

  • Performance de diferentes modelos

  • Padrões de uso


6. Teste Seu Próprio Servidor


Uma das melhores maneiras de validar sua documentação e implementação é testar seu próprio servidor MCP de forma sistemática.


MCP Inspector: Sua Ferramenta Principal

O MCP Inspector, disponibilizado pelos próprios desenvolvedores do protocolo, oferece a perspectiva do usuário final. Ele dá uma ideia clara de como os usuários irão interagir com seu servidor baseado na sua documentação.


Três Etapas Principais de Teste


1. Conectar ao Servidor MCP

  • Valida se o servidor está capturando todas as configurações necessárias

  • Verifica problemas de conexão e autenticação

  • Testa diferentes cenários de inicialização


2. Lista de Ferramentas (List Tools)

  • Mostra exatamente o que os agentes de IA veem ao chamar seu MCP Server

  • Permite validar nomes, descrições e parâmetros

  • Identifica inconsistências na documentação


3. Chamada de Ferramenta (Tool Calling)

  • Valida o comportamento real das ferramentas

  • Testa mensagens de erro e cenários de exceção

  • Garante que a ferramenta se comporta como esperado


7. Containerização: Docker é Seu Amigo


Embalar aplicações em uma imagem Docker sempre é uma boa ideia, e com MCPs não é diferente.


Por Que Dockerizar?

Como os serviços MCP podem ser escritos em diferentes linguagens (Python, Node, Java, Go), a imagem Docker garante:


  • Isolamento de dependências: Cada serviço tem suas próprias bibliotecas sem conflitos

  • Consistência de ambiente: O que funciona no desenvolvimento funcionará em produção

  • Facilidade de deployment: Simplifica CI/CD e orquestração

  • Portabilidade: Execute em qualquer ambiente que suporte containers

  • Versionamento: Controle preciso de versões e rollbacks rápidos


Benefícios Adicionais


  • Facilita testes em diferentes ambientes

  • Simplifica escalonamento horizontal

  • Melhora a segurança através de isolamento

  • Padroniza o processo de deployment


Conclusão


Implementar MCP Servers e Clients de forma profissional exige atenção a detalhes que vão além da funcionalidade básica. Ao seguir essas boas práticas, você criará soluções mais confiáveis, seguras e econômicas. Lembre-se sempre:


  • Menos é mais: limite o número de tools

  • Segurança primeiro: aplique zero trust

  • Pense no agente: mensagens de erro devem orientar ações

  • Documente para dois públicos: humanos e máquinas

  • Monitore tudo: custos podem surpreender

  • Teste sistematicamente: use MCP Inspector

  • Containerize: Docker resolve muitos problemas


A implementação cuidadosa dessas práticas não apenas melhorará a qualidade técnica do seu trabalho, mas também criará uma base sólida para escalar suas soluções de IA com confiança.


Aproveite para assistir um vídeo que fizemos sobre este assunto:




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