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Arquitetura de Sistemas Agênticos

  • 19 de jan.
  • 5 min de leitura

A arquitetura de sistemas agênticos representa uma das áreas mais dinâmicas e em rápida evolução no campo da inteligência artificial. Por ser algo relativamente novo, essa arquitetura sofre modificações, melhorias e ajustes constantemente. O que estamos apresentando aqui é um panorama atual dessa arquitetura, mas vale lembrar que novos desenvolvimentos podem surgir a qualquer momento.


Os Pilares Fundamentais da Arquitetura Agêntica


Uma arquitetura de sistema agêntico moderna é composta por nove componentes principais que trabalham em conjunto para criar sistemas inteligentes e autônomos:

  • Agent

  • LLM

  • MCP

  • Memoria

  • SubAgents

  • Orquestração

  • HITL

  • Observabilidade

  • Registry

Vamos explorar cada um deles em detalhes.


1. Agent: O Coração do Sistema


O agente é o núcleo da arquitetura. Trata-se de uma aplicação como qualquer outra, que pode ser desenvolvida em diversas linguagens de programação. Atualmente, Python domina o cenário, especialmente pela sua rica biblioteca de frameworks de IA. JavaScript e TypeScript também são escolhas populares para agentes com interface web, rodando em Node.js.


Para sistemas que exigem alta performance e distribuição, Go tem ganhado cada vez mais espaço. Rust também aparece em cenários onde segurança de memória é crítica, oferecendo garantias que outras linguagens não conseguem proporcionar.


2. LLM: O Cérebro da Operação


O Large Language Model é o componente mais fundamental do agente. É ele que processa linguagem natural, entende contexto, raciocina sobre problemas e gera respostas inteligentes. Existem duas abordagens principais para usar LLMs:


Em Cloud (via API): Os mais comuns atualmente, como GPT, Claude e Gemini, oferecendo poder computacional sem necessidade de infraestrutura própria.


LLMs Locais (on-premise): Onde você executa o modelo na sua própria infraestrutura, garantindo maior controle sobre dados sensíveis e custos previsíveis.


Um aspecto interessante é que frameworks como LangChain são LLM-agnostic, permitindo que um único agente utilize múltiplos modelos. Por exemplo, você pode usar o GPT para gerar respostas humanizadas e o Claude para geração de código, tudo dentro do mesmo agente.


3. MCP: Expandindo as Capacidades


Os MCPs (Model Context Protocol) representam a evolução do sistema de Tool Calling. Enquanto Tool Calling é simples mas limitado, o MCP oferece uma forma muito mais robusta de acessar sistemas externos.


Com MCP, seu agente pode buscar informações na web, ler e escrever arquivos, integrar com APIs e até executar códigos. É a ponte que conecta a inteligência do LLM com o mundo real, permitindo que o agente não apenas pense, mas também aja.


4. Memory: O Contexto que Dá Sentido às Ações


Os LLMs possuem conhecimento geral sobre muitos assuntos, mas como fazê-los conhecer seus documentos específicos, produtos ou políticas internas? Como fazer o agente lembrar de conversas anteriores ou arquivos processados? É aqui que entra o sistema de memória.


O funcionamento é elegante: todas as informações são transformadas em embeddings (vetores matemáticos) e armazenadas em um Vector Database. Isso permite que o sistema encontre documentos por similaridade semântica, não apenas por palavras-chave.


Um exemplo prático: se você perguntar "como cancelo minha assinatura", o agente consegue encontrar documentos que falam sobre "interromper serviço" ou "encerrar conta", mesmo sem usar a palavra "cancelar". Isso é RAG (Retrieval-Augmented Generation) em ação.


Os Vector Databases mais utilizados incluem Pinecone, Qdrant e Weaviate, embora também seja possível usar Postgres, Elasticsearch e MongoDB para essa finalidade.


5. SubAgents: Dividir para Conquistar


Quando a quantidade de ferramentas e a complexidade das ações aumentam, os agentes começam a se confundir, usar ferramentas erradas e apresentar alucinações. A solução? SubAgentes.


Utilizar SubAgentes é uma das formas mais eficazes de mitigar erros quando as responsabilidades de um único agente crescem. A ideia é fazer uma segregação de funções: um subagente cuida do sistema de pagamentos, outro dos clientes, outro apenas dos pedidos.


Esses SubAgentes podem estar dentro do agente principal ou serem serviços separados, em diferentes PODs do Kubernetes, por exemplo. Cada um terá seus próprios componentes (memória, MCPs e LLMs), embora possam compartilhar recursos comuns como o mesmo Vector Database.


6. Orchestration: Coordenando a Complexidade


Quando sua arquitetura cresce e você passa a ter múltiplos agentes com workflows mais complexos, surge a necessidade de uma camada de orquestração. Ela coordena quem faz o quê, gerenciando a comunicação entre agentes e delegando tarefas de forma inteligente.


Frameworks como LangGraph e CrewAI são populares para agentes em Python, gerenciando padrões de colaboração. LangGraph também tem uma versão JavaScript, e para Rust existe o Swarms-rs.


Com essa camada, os agentes se tornam uma equipe autônoma onde cada um tem sua especialidade, trabalhando de forma coordenada para resolver problemas complexos.


7. HITL: Mantendo o Humano no Controle


Human-in-the-Loop (HITL) refere-se a processos onde um ser humano participa ativamente da operação, supervisão ou tomada de decisão de um sistema automatizado. Afinal, não dá para simplesmente colocar a culpa na IA depois que ela toma uma decisão crítica equivocada.


O objetivo do HITL é permitir que sistemas de IA alcancem a eficiência da automação sem sacrificar a precisão e o raciocínio ético que apenas a supervisão humana pode garantir.


8. Observability: Visibilidade Total do Sistema


Para supervisionar um agente, você precisa ver o que ele está fazendo. Diferente de logs tradicionais que apenas mostram "erro" ou "sucesso", observabilidade fornece informações detalhadas: qual ferramenta o agente chamou, que resposta o LLM retornou, quanto custou, quantos tokens utilizou, quanto tempo levou e, principalmente, por que ele tomou aquela decisão.


O que você deve rastrear:

  • Chamadas ao LLM: prompts enviados, tokens consumidos, custo e latência

  • Interações entre agentes: em sistemas multi-agente, o fluxo de comunicação

  • Uso de MCPs: quais ferramentas foram chamadas e com quais parâmetros

  • Acesso à memória: buscas no Vector DB, cache hits/misses

  • Fluxo de decisão: o caminho percorrido até chegar na resposta


Ferramentas como LangSmith (nativa do ecossistema LangChain) e OpenLIT são excelentes para observabilidade de agentes. O OpenLIT, em particular, oferece recursos adicionais como Prompt Hub (gerenciamento centralizado de prompts) e Vault (armazenamento seguro de API keys).


9. Registry: Governança em Escala


Quando sua arquitetura cresce significativamente - com dezenas de MCPs diferentes, vários agentes especializados e múltiplos LLMs - surge um desafio: como gerenciar tudo isso de forma segura e organizada?


O AI Asset Registry funciona como um catálogo inteligente da sua arquitetura. Hoje, a maioria dos registries são básicos (como o MCP Registry do GitHub), mas em ambientes corporativos você precisa de muito mais controle.


Um Registry ideal deveria oferecer:

  • Inventário completo de Tools/MCPs

  • Controle de acesso granular (ACL)

  • Sistema de permissões similar ao OAuth, mas para agentes

  • Registro de capacidades de cada agente

  • Catálogo de modelos disponíveis

  • Políticas de uso (rate limits, custos, compliance)

  • Auditoria completa (quem usou o quê, quando e por quê)


Na prática, é como um API Gateway, mas para agentes. Ferramentas como TrueFoundry AI Gateway, Credo AI, Collibra e Microsoft Entra Agent ID estão tentando resolver esse desafio, embora o mercado ainda esteja definindo os padrões de como isso deve funcionar.


Conclusão


A arquitetura de sistemas agênticos está em constante evolução, refletindo a natureza dinâmica do campo de IA. Cada componente descrito aqui desempenha um papel crucial na construção de sistemas inteligentes, autônomos e confiáveis.


À medida que essas tecnologias amadurecem, veremos o surgimento de padrões mais estabelecidos e ferramentas mais robustas. O futuro promete sistemas agênticos cada vez mais sofisticados, capazes de resolver problemas complexos mantendo a supervisão humana necessária para garantir decisões éticas e responsáveis.


Para profissionais de tecnologia, entender essa arquitetura não é mais opcional - é essencial para navegar no futuro da inteligência artificial empresarial.

Aproveite para assistir um vídeo que fizemos sobre este assunto:


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